quarta-feira, 11 de junho de 2014

One Day

“Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável.” Charles Dickens, Grandes esperanças — Eu posso imaginar como você vai ser aos quarenta anos — falou, um tom de malícia na voz. — Sei muito bem o que vai acontecer. Dexter sorriu sem abrir os olhos. — Então, diga. — Tudo bem... — Ela se mexeu na cama, o edredom preso nas axilas. — Você vai estar num carro esporte com a capota arriada em Kensington ou Chelsea, num desses lugares, e o mais incrível nesse carro é o fato de ser silencioso, porque todos os carros vão ser silenciosos em... sei lá quando... 2006? Ele apertou os olhos, fazendo a conta. — 2004... — E o carro está na King’s Road a dez centímetros do chão, sua barriguinha está espremida embaixo do volante de couro como uma almofadinha e você está com aquelas luvas sem dedos, já com cabelo rareando e sem queixo. Você é um homem grandão num carro pequeno, com um bronzeado de peru assado... — Vamos mudar de assunto? — E tem uma mulher ao seu lado, de óculos escuros, sua terceira... não, quarta esposa, muito bonita, modelo... não, ex-modelo, vinte e três anos, que você conheceu enquanto ela posava no capô de um carro num salão do automóvel em Nice ou coisa assim, muito bonita e burra como uma porta... — Não sei de onde você tirou essa ideia a meu respeito, você mal me conhece. — Eu conheço o seu tipo. Os dois juntos? Parecia pouco provável.

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