Eu sempre vi tudo com um ponto de interrogação
na ponta. Eu tenho problemas com os meus rins, porque eu bebi demais. É uma
coisa confessável, e se essa palavra não existe, eu vou criá-la. Sempre acreditei em Deus, mas a ciência é
chamativa. Não é porque eu gosto de ciências, que não acredito em Deus, vou
logo avisando. O mundo me parece muito tentador, com seus mil segredos mal
revelados e suas mil perguntas, que ninguém esclarece. Eu nunca fui bom com perguntas, eu nunca
estava á um passo a mais. Venho de família de jornalistas, mas tenho medo de
errar. Eu não entendo isso, mas tenho medo de perguntar demais, e irritar. De
perguntar, e me chamarem de burro. E isso já aconteceu na escola.
Eu
sou Augusto. Augusto Connor e não sou muito bom com palavras. E se me
perguntarem porque falo tanto de mim, não vou pode explicar, porque eu poderia
dizer que eu falo sobre mim, porque é o que eu conheço e sei falar, mas é a
mais pura mentira. Eu não sei falar de mim, e tenho inveja daquelas pessoas tão
resolvidas consigo mesmas. Aquelas corajosas, que entendem seus sentimentos.
Mas eu não posso pagar de inocente, porque eu nunca parei para ler um livro de
auto ajuda, e acredito que eles não
funcionem. Como eu disse, para alguém entender uma aula, é preciso saber do
assunto, e eu não sei quem eu sou. É como comprar um manual de como construir
um computador, sem saber o que é um teclado.
Eu
queria poder explicar, todos os meus pensamentos, e poder alinhá-los em uma
ordem organizada. Mas o mundo tem problemas maiores, e eu creio que deveria
tentar pelos menos ajudar a diminuí-los, como um trabalho voluntário em algum
orfanato, ou então, em um hospital para garotinhos com doenças terminais, ou
pessoas com depressão. Mas eu sou inútil, até para ir atrás dessas coisas. Não
sou rico, não tenho grandes influências, não sou ninguém.
Um
velho amigo meu me avisou que eu deveria dar valor as coisas que eu tenho,
mesmo com tudo que está acontecendo comigo. Acredito que isso seja o
significado de “ser feliz”, ficar alegre mesmo com todos os problemas sobre
seus ombros.
Aí
está um assunto que eu gosto: Problemas. Problemas são resultados de suas
ações, você escolhe ter problemas. Problemas, escolhas. Você escolhe amar
alguém, então você escolher se dar conta de todas as confusões da sua paixão.
Você escolhe comprar o carro, então você tem que lidar com o pagamento, juros,
motores, concertos... Acredito que o mundo seja feito de escolhas. E a dor, o
resultado. Ou então, a vitória. Por isso
a expressão “No meu Mundo”, porque é meu. Feito por mim. Feito pelas minhas
decisões.
E a
história que eu vou contar agora, é feito mais ou menos por isso. Eu escolhi
Rebeca. Eu a escolhi, como minha, e eu a perdi, porque eu escolhi, deixá-la. Eu
aprendi a arcar com as minhas decisões, e sei que não posso ser covarde comigo
mesmo. Eu tenho essa missão. Descobrir quem eu sou, descobrir como sou. Aliás,
o que fazemos nesse mundo?

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